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Quantas fotos podem ser usadas contra você?


Foto: Cristina Zaragoza on Unsplash

Por Adriana Roque*


A justificativa para o estupro só vai mudando de “roupagem”. Pode ser o tamanho da saia, o horário, estar alcoolizada, ter a companhia de homens na balada. A justificativa pode ser a sua personalidade “pra frente demais”, pode ser porque “deu a entender”, porque sorriu demais, ou porque as suas fotos do Instagram te condenam.


E todas elas dizem uma única coisa: você é violentada porque você é mulher. A sociedade nos vê como alvo ao mesmo tempo que nos responsabiliza por sê-lo. Isso acontece por uma questão muito básica: somos frágeis, a caça, o alvo. Precisamos de proteção, de um macho, de cuidado. Ao mesmo tempo em que somos maduras. É a menina que precisa relevar, que precisa ser mocinha, é a mulher que precisa entender a cabeça de um homem.


O jogo patriarcal é sempre esse: alvo e responsabilidade. Servimos para ser alvo dos outros ao mesmo tempo que precisamos nos responsabilizar pelo que o outro fez contra nós.

Afinal, não somos tão maduras? Não sabemos das coisas? Como não “vimos” antes que algo ruim poderia nos acontecer?


Estamos fazendo isso desde a nossa tenra infância. Isso não te parece familiar?

Quantas fotos tem no seu Instagram que podem, agora, ser viradas contra você?


Se você for mulher, todas. Você só precisa existir. Se você for homem, nenhuma.


Se eu puder te dizer algo hoje é: você não é a culpada!



*Adriana Roque é psicóloga e coach de mulheres e fundadora do Para Ser a Mulher Que Quiser


Revisão: Ana Luiza Gonçalves, editora da @revistalesbi