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O Começo da Vida 2: Lá Fora estreia na Netflix

Produção da Maria Farinha Filmes em parceria com Instituto Alana alerta sobre os impactos das nossas ações sobre o meio ambiente e a consequências para o futuro dos nossos filhos

Reprodução/ Maria Farinha Filmes/ Believe Films/ Instituto Alana

Por Nathalia Ilovatte


Em que mundo queremos viver quando essa pandemia acabar? A pergunta segue reverberando depois dos créditos finais de "O Começo da Vida 2: Lá Fora".


O sensível e potente documentário, que entra nesta quinta-feira (12) no catálogo da Netflix, costura conversas com crianças do centro de Belo Horizonte, da periferia de São Paulo ou do entorno de Santiago para nos escancarar que estamos desconectados.


Entre concretos, asfaltos e telas luminosas, vivemos desligados do que somos em essência: natureza. O que, em certo sentido, nos conta que estamos um pouco mortos também.


Especialistas da área da saúde, da preservação ambiental, do planejamento urbano e do brincar, como Daniel Becker, Jane Goodall e Gandhy Piorski, expõem pontos de vista que convergem na certeza de que nosso modo de vida, nosso cotidiano e nosso entorno nos adoecem. Essa, porém, não é a parte mais doída do necessário chacoalhão. O que as escolhas que temos feito hoje causarão aos nossos filhos e netos amanhã?, questiona o filme.


A natureza, diz uma entrevistada, não é um acessório, é uma necessidade. E nosso estilo de vida está acabando com o pouco que resta da biodiversidade no mundo. Se não queremos destruir o futuro das gerações próximas, precisamos agir hoje.

Com exemplos como o de uma escola pública de educação infantil de Novo Hamburgo que instiga o livre brincar oferecendo natureza às crianças, ou o de Daniel, estudante da Escola da Serra que, em um acampamento na Serra do Cipó, nos diz categoricamente que “se você não conhece um lugar que ainda é como o mundo era há milhões de anos, então você não conhece o mundo”, o filme nos pega pela mão e mostra que cobrar políticas públicas é fundamental, mas agir no nosso entorno, reconstruindo praças, criando hortas e cuidando de parques é efetivo e está ao nosso alcance todos os dias.


Mais do que nos mostrar onde estamos falhando como pais, como cidadãos e como humanos, mais do que nos indicar caminhos possíveis, “O Começo da Vida 2: Lá Fora” nos abraça e convida ao amor. A potência da narrativa construída pela diretora Renata Terra instiga o espectador a sair da tela e procurar os resquícios de natureza mais próximo para redescobrir a paixão que já nutrimos por descobrir o som das folhas secas, o caminho das formigas, o cair das flores. E nos lembra de tudo que estamos perdendo por não compartilhar esse encantamento com nossos filhos todos os dias.


Se o momento extremamente difícil que temos atravessado nos últimos 8 meses pode ao menos servir para a transformação, certamente essa é uma das mais importantes. E “O Começo da Vida 2: Lá Fora” legitima e intensifica o ímpeto de deixar para trás a “vida normal” que um dia tivemos e agir para construir uma nova vida, com novas relações, em novas cidades, em um outro mundo.


"O Começo da Vida 2: Lá Fora" é uma produção da Maria Farinha Filmes, Instituto Alana e Fundação Boticário. O Cria Para o Mundo acompanhou a pré-estreia online do filme a convite do Instituto Alana.