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Mulheres estão cotidianamente em perigo



Por Adriana Roque*


O Brasil é um dos piores países para nascer menina, segundo a ONG Save the Children, e lidera o ranking dos que mais matam pessoas trans e travestis. É o país em que a cada dia aumenta o número de casos de violência contra a mulher negra e também é o país que diz que um estupro pode ter sido “sem querer”.


Em 2020, os assassinatos de mulheres subiram no primeiro semestre enquanto os estupros e agressões caíram. Porém, neste mesmo período, houve um aumento de subnotificação dos casos.


Uma criança de 10 anos é estuprada, engravida e é impedida pela classe médica (predominantemente masculina) e por grupos cristãos de passar pelo procedimento do aborto. Mari Ferrer é violentada dentro e fora do julgamento em que ela não é a ré. Um jogador de futebol é contratado pelo Santos mesmo tendo sido CONDENADO por estupro. A violência contra a mulher negra aumenta, e mulheres trans/travestis são destinadas à prostituição (prostituição compulsória) e assassinadas. Mulheres lésbicas sofrem estupro corretivo, dentro e fora de seus lares.


Esses foram alguns casos que repercutiram nas redes sociais esse ano.


O Brasil é regido por um sistema em que homens têm poder, enquanto mulheres precisam se conter. Que mulher NUNCA deixou de fazer algo que queria e que achava ser o certo por causa de um homem? Uma violência sem denúncia, sem notificação, sem rastro. Todas nós já passamos por isso.


Quando vivemos em um país onde o estupro é lido como não intencional, todas as mulheres estão vulneráveis. Quando um juiz decreta que um estuprador não teve intenção de estuprar, ele responsabiliza a mulher pela violência que ela sofreu. Ele está afirmando que ela deveria estar “guardadinha” em casa. Porém, mesmo guardadas em casa, as mulheres são estupradas. Quando um advogado está ali para defender seu cliente, mas difama a vítima trazendo um discurso baseado na moral e nos bons costumes, surge a pergunta: qual é a moral e os bons costumes quando as mulheres estão cotidianamente em perigo?


*Adriana Roque é psicóloga e coach de mulheres, e fundadora do Para Ser a Mulher Que Quiser


Revisão: Ana Luiza Gonçalves, editora da @revistalesbi