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Mulher conquista mais ao fazer menos

Atualizado: 7 de Out de 2019

Livro "Deixe a Peteca Cair", da autora Tiffany Dufu, aponta a divisão de tarefas no lar como fator essencial para maior crescimento pessoal e profissional feminino


Por Luciane Evans


Um dia nos encorajaram a dar conta de tudo e nos convenceram de que era possível fazer várias coisas ao mesmo tempo. De ser supermãe, dedicada, divertida, paciente. De cuidar da casa, do marido. De ter uma carreira de sucesso, vida social e sexual ativa. No entanto, já sabemos o resultado dessa história. E, convenhamos, não há mulher que suporte tudo isso sem dar, no mínimo, uma surtada.


Toda essa “cultura” do "dar conta sozinha" contribui, além do desgaste mental da mulher, para a desigualdade de gênero no mercado de trabalho. É o que garante a escritora e especialista em desenvolvimento da liderança feminina Tiffany Dufu, que tem um conselho para você virar esse jogo: deixe a peteca cair.

No linguajar popular, a expressão significa “não cumprir uma tarefa”, falhar, errar. Para Tiffany Dufu, essa seria a liberdade feminina que faz com que sejamos capazes de nos libertar da crença irreal de que podemos realizar tudo sozinhas, aprofundando assim relacionamentos para que possamos crescer pessoal e profissionalmente.


Não assuma tudo


Deixe a Peteca Cair é o titulo do livro que traz o relato de Tiffany Dufu sobre como conseguiu se tornar uma mulher poderosa, bem-sucedida e feliz no trabalho mesmo depois da maternidade. A obra mostra que só vamos conquistar mais quando fizermos menos.


As mulheres são metade da força de trabalho no mercado, mas apenas cerca de um quinto ocupa cargos de liderança. Por outro lado, em casa a situação é inversa: a participação masculina e dos filhos é muito menor. E é essa diferença que afeta a ascensão profissional feminina.


De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as mulheres dedicam quase o dobro de tempo dos homens ao trabalho doméstico. Mesmo quando, no casal, ambos exercem atividade remunerada, sobra para elas a responsabilidade sobre tarefas como lavar, passar e arrumar. Some isso às inúmeras demandas de um ou mais filhos pequenos, e está pintado o cenário da sobrecarga física e mental feminina. 


Dufu propõe, então, que deixemos a peteca cair. Isso mesmo. Não assuma tudo para você, peça ajuda e divida igualmente as tarefas do lar com o parceiro. Não deixe que a exaustão, vinda de uma cultura de que nós, mulheres, podemos fazer tudo ao mesmo tempo, te freie.


Maternidade acentua a desigualdade


Defensora da independência da mulher, a autora se deparou com a desigualdade de gênero no lar quando teve o seu primeiro filho. Casada com Kofo, ela começou a perceber que estava tentando ser uma espécie de heroína, capaz de dar conta de tudo, enquanto o marido não tinha as mesmas obrigações.


Se essa história lhe parece familiar, então o livro vai lhe fazer bem. Além de parecer uma boa conversa entre amigas, ele é repleto de pesquisas e estudos recentes citados por Tiffany Dufu. Com esses argumentos, ela relaciona a desigualdade de gênero no lar com o baixo índice de ocupação das mulheres em cargos altos.


E adivinhem? O motivo é óbvio. Geralmente, quando a mulher está no auge da sua vida profissional, decide construir uma família. Porém, as responsabilidades crescentes no trabalho e em casa a deixam sem disposição e foco necessário para se dedicar à carreira. Assim, o livro nos instiga a repensar nossas posturas, desejos e cultura.


Livro é vendido em livrarias e custa em média R$30


Contra as expectativas da sociedade

O segredo, segundo a autora, é a mulher esperar menos de si mesma e mais do parceiro para, então, poder focar nos seus verdadeiros objetivos e obter uma vida criativa e recompensadora.


Para isso, ela relata como foi que conseguiu trazer a igualdade de gênero para o lar. “O que uma mulher esgotada pela responsabilidade de prover e cuidar pode fazer?

Precisa redefinir o que cuidar significa para si mesma e para a sua família. Vai ter que rejeitar as expectativas irreais da sociedade de que ela faça as duas coisas perfeitamente.

Vai ter que deixar a peteca cair”, escreve Tiffany Dufu.


Mas como fazer isso? Listamos algumas dicas


  • Delegação imaginária não funciona. A delegação imaginária é quando você espera que seu companheiro realize uma tarefa, mas nunca pediu isso explicitamente. Dizendo a seu parceiro claramente o que espera e dividindo juntos as tarefas, é possível instituir uma cultura mais igualitária dentro de casa e, aos poucos, também fora dela.


  • Cobre menos de si mesma. Tenha paciência e espere mais antes de assumir uma responsabilidade no lar. O ideal é que as mulheres esperem menos de si mesmas e mais dos parceiros. Isso exige não só passar a tarefa para eles, mas também uma resistência ao impulso de assumir o compromisso para si, mesmo quando eles não correspondem.


  • Reduza a sua lista de tarefas. Muitas mulheres estão se afogando na ideia irreal de que precisam fazer tudo: e-mails, compromissos das crianças, apresentações de Power Point, supermercado. Você não precisa cumprir o impossível – porque é simplesmente impossível fazer tudo. “O primeiro passo para deixar a peteca cair é superar o medo de deixar essa peteca ficar no chão. Temos que deixá-la cair para sentir a liberdade, rir alto e viver plenamente”, escreve a autora.


  • Priorize o que mais importa para você. A autora conta que decidiu que apenas três coisas precisavam estar em sua lista como mãe: gestar e dar à luz aos filhos, amamentá-los durante um ano e envolvê-los em conversas significativas. “Havia outras coisas que precisavam acontecer para que minha casa funcionasse? Claro. Mas, daquele momento em diante, essas três eram as únicas tarefas que, caso eu não as realizasse de acordo com minhas expectativas, faziam com que eu me sentisse culpada. Em todo o resto, eu podia deixar a peteca cair.”