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Lactantes, ajudem a salvar vidas

Atualizado: Abr 11

Bancos de leite humano estão com baixa nos estoques. Em BH, a Maternidade Odete Valadares registrou queda de cerca de 30% na captação



Por Luciane Evans


Neste momento de desesperança por qual passa o Brasil, as mulheres que podem doar leite estão sendo chamadas para exercer a solidariedade, ajudando a salvar as vidas de bebês no país.


Neste ano de 2021, com a alta na taxa de contágio do novo coronavírus e de ocupação de leitos de UTI, houve uma redução significativa nos estoques de leite humano brasileiros, o que acende o alerta vermelho em maternidades de estados como Pernambuco, Ceará, Minas Gerais e também o Distrito Federal.


Há uma intensa e preocupante corrida contra o tempo para salvar a vida de quem está chegando ao mundo. Tanto é que, para o dia 19 de maio, quando se comemora o Dia Mundial de Doação de Leite Humano, a Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano (rBLH-BR) escolheu, depois de votação, o slogan “Doação de Leite Humano: a pandemia trouxe mudanças, a sua doação traz esperança”, como forma de sensibilizar as mulheres lactantes.



Redução de cerca de 30%


Em Belo Horizonte, o Banco de Leite Humano (BLH) da Maternidade Odete Valadares registrou uma redução de cerca de 30% nas captações do alimento. Em fevereiro, o BLH captou 168 litros de leite humano. Em março, até o dia 18, a captação foi de só 93 litros de leite, o que é insuficiente para atender toda a demanda de, em média, 130 bebês.


Geralmente, o volume de leite humano doado mensalmente ao Odete Valadares oscila entre 250 a 300 litros de leite. Quando comparado ao recebido em fevereiro, a queda nas doações chega a 32%


De acordo com a coordenadora do BLH da Maternidade Odete Valadares, Maria Hercília Barbosa, são feitas parcerias com postos de coletas de outras maternidades, tanto da região metropolitana, quanto de hospitais do interior, em um raio de até 6 horas de distância.


"Infelizmente, quando há pouco estoque, o volume enviado a essas maternidades é menor. As equipes dão prioridades aos bebês mais necessitados, prematuros de até 14 dias. Mas o ideal seria oferecermos o leite humano pasteurizado para todos os bebês internados nas UTIs e cuidados intermediários. Portanto, quanto mais leite temos em estoque, maior número de bebês poderemos atender", diz.


Espírito altruístico


Desde que o alerta foi acionado pela Maternidade Odete Valadares, mobilizando campanhas nas redes sociais, principalmente no mês de março, mulheres se solidarizam com a causa. Até a última semana, o BLH havia conseguido aumentar em até 20% o número de doadoras, conforme comenta Maria Hercília Barbosa.


Ela diz esperar alcançar os números de 2020, quando surpreendentemente, mesmo com a pandemia, nos meses de março, abril, maio e junho, o volume de leite doado aumentou consideravelmente e foi possível, inclusive, dividir a quantidade recebida com mais três bancos de leite do interior.


"Houve uma grande sensibilização das mães trabalhadoras, que estavam amamentando e se encontravam em home office, de doarem seu excedente. Um espírito altruístico. Agora, novamente estamos fazendo um chamamento às mães que sejam saudáveis, para doarem seu excedente”, diz.

Para ser doadora


Toda mulher saudável que esteja com excedente de leite e possua exames de pré-natal negativos pode ser doadora. Em BH, para o BLH da Maternidade Odete Valadares, é só entrar em contato pelos telefones (31) 3337-5678 ou 3298-6008 para realizar seu cadastro. Em outras localidades do país, procure os bancos de leites humanos mais próximo.


Importante ressaltar que a pessoa que tenha contraído covid-19 e já tenha se recuperado, passado o período de isolamento de 15 dias, pode doar seu leite sem problemas. As vacinadas contra a doença também podem ser doadoras de leite.


No BLH, o leite materno passará por processamento e controle microbiológico, com todo o rigor necessário para que o alimento saia com qualidade certificada aos bebês. “Pedimos que as mães continuem doando seu excedente de leite, continuem nos ajudando nessa causa, que é de toda a sociedade. Quem souber de alguma mãe que está com excedente de leite, indique um banco de leite e ajude a salvar vidas”, frisa Maria Hercília.


Quem pode doar


  • Toda mulher que amamenta é uma possível doadora de leite humano. Para doar, basta ser saudável e não tomar nenhum medicamento que interfira na amamentação;

  • Com o leite materno, a criança se desenvolve com mais saúde, tem mais chances de recuperação e fica protegida de infecções, diarreias e alergias;

  • Qualquer quantidade de leite pode ajudar. 1 ml já é suficiente para nutrir um recém-nascido a cada refeição, dependendo do peso. O pote não precisa estar cheio para doar e fazer a diferença;


  • Todo leite doado é analisado, pasteurizado e submetido a um rigoroso controle de qualidade antes de ser ofertado ao bebê internado nas Unidades Neonatais.