• Cria Para o Mundo

João Pedro, presente

Atualizado: Mai 25



Estamos fechados em nossas casas há semanas desejando que a pandemia acabe para que a vida volte ao "normal". Mas, no Brasil, o normal tem que acabar. O que se tornou padrão há anos é assistirmos inertes à morte de meninos como João Pedro, de 14 anos, que estava em casa brincando quando a polícia entrou, baleou o garoto no abdômen e o levou embora de helicóptero, sem autorização da família e sem dar informações. Ninguém teve notícias da criança até o corpo ser localizado hoje de manhã, no IML.


Pedimos que todos ficassem em casa, e João Pedro ficou. Mas o Estado invadiu e o matou, como matou a menina Ágatha, de 8 anos, matou Evaldo com 80 tiros na frente do filho de 7 anos, matou Maria Eduarda, de 13 anos, dentro da escola, matou Marcos Vinicius, de 14 anos, que depois de ser baleado perguntou à mãe se a polícia não viu que ele estava com o uniforme do colégio. Temos a polícia que mais mata no mundo. Uma polícia que reflete a estrutura da nossa sociedade: racista, machista, classista.

Não dá pra gente seguir falando de empatia, de comunicação não violenta, sem estender o nosso discurso e as nossas práticas às mães que não sabem se seus filhos chegam vivos até o fim do dia nem mesmo dentro da escola, do carro e da própria casa.

A "vida normal" tem que acabar.

Que a gente escolha nossos próximos governantes pelo quanto eles levam os direitos civis a sério. Que a gente entenda que maternidade é política, consumo é política, e ser antirracista é obrigação. Que a gente use nossos privilégios para puxar outras mulheres, outras crianças, outros homens negros.

Essas são algumas iniciativas que podem ser apoiadas nesse momento de quarentena. Por favor, nos indique mais projetos sérios que precisam de ajuda: CUFA - Central Única das Favelas Ladafavelinha Casa de Referência da Mulher Tina Martins

Você pode fazer essa indicação nos comentários, pelo nosso instagram @criaparaomundo, pela nossa página no Facebook ou por email: criaparaomundo@gmail.com


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