• Cria Para o Mundo

"Quando dei uma chance para a vida, ela fluiu"

Atualizado: 7 de Out de 2019


"Eu estava brigando com as coisas que vida insistia em me mostrar", diz Mariana

Por Nathalia Ilovatte


Ser mãe nunca foi um sonho na vida da profissional de comunicação e marketing Mariana Diana. O marido, que tem infertilidade, também não imaginava que seria pai.


Depois do casamento, os dois começaram a conversar sobre ter um filho e decidiram tentar a fertilização in vitro. Pouco tempo depois, Mariana estava grávida de Nicolas, hoje com 1 ano e 11 meses.


“Para mim, demorou muito tempo para cair a ficha e eu falar ‘nossa, eu sou mãe’. Não foi durante a gravidez, não foi quando ele nasceu. Depois disso ainda demorei um pouco para assimilar”, conta ela, que hoje espera o segundo filho.


Logo depois do nascimento de Nicolas, e com Mariana ainda processando a maternidade, a família se mudou da Região Centro-Sul de Belo Horizonte para uma casa afastada da cidade, em um condomínio em Nova Lima. O emprego, no Bairro Dona Clara, ficou mais distante, e ela não queria deixar o filho para se arriscar no Anel Rodoviário todos os dias.


Decidiu pedir demissão. “Foi uma fase meio turbulenta, tudo estava de cabeça para baixo”, lembra, “eu ainda me sentia muito culpada, pensando que tanta mãe com 10 filhos trabalhava fora, por que eu não conseguia fazer isso? Eu não conseguia aceitar, dentro de mim, ficar em casa cuidando do meu filho, abrir mão de ganhar meu dinheiro, de ter convivência com outras pessoas…”.


Mariana conta que não achava ser possível ter uma vida diferente da que levava antes de se tornar mãe. “Eu nunca me vi mãe e dona de casa, eu sempre estudei e trabalhei. Eu achei que não fosse conseguir abandonar essa minha vida de antes de ter filho”, explica.


“Para mim foi uma transformação muito forte, eu mudei da água para o vinho. E quando eu aceitei isso e abracei a causa, a minha vida começou a fluir diferente. Eu estava brigando comigo mesma e com as coisas que vida insistia em me mostrar”.

Mas, para desapegar da antiga rotina e aceitar a metamorfose que veio com a maternidade, Mariana precisou tirar um tempo para si. “Aos poucos as ideias começaram a chegar no lugar e eu passei a ter um olhar mais tranquilo, mais sereno das coisas. Comecei a buscar algumas respostas, fiz um curso de ho’ oponopono que me ajudou muito, fiz uma sessão de constelação familiar que também foi muito importante”, lembra.


Mais aberta para a nova vida, as ideias para atender os próprios anseios começaram a brotar. “Eu parei para pensar e percebi que eu fiquei um tempo batendo de frente, dizendo que minha vida não podia ser assim, que não ia dar certo", conta.


"E quando eu falei ‘vamos dar uma chance’ as coisas começaram a fluir. Eu tive um insight muito grande e decidi fazer sabão orgânico”, diz Mariana.

A partir daí, ela acionou os contatos, descobriu que no condomínio em que mora muitos vizinhos tinham interesse no produto, e foi atrás de cursos e informações. Arranjou espaço em casa e colocou a mão na massa. Como matéria-prima, usa óleos essenciais e lavanda, alecrim, camomila e outras ervas que planta em casa. E consegue se dedicar ao trabalho durante a tarde, quando Nicolas está na escola. “Sinto um pouco de falta do agito, de sair cedo de casa, conversar com gente grande todo dia, correr atrás de fornecedor, negociar, correr atrás de cliente, ver agenda… Mas me sinto tão grata por ter o que eu tenho hoje! Eu posso brincar na grama com meu filho, molhar as plantas… Eu gosto dessa vida”.


Leia também


"Como mãe, sou a melhor para os meus filhos. Como pessoa, estou destruída"


“A sensação que tenho às vezes é que não me conheço. Eu não sei que eu sou. Eu sei quem a Flávia mãe é. A Flávia mãe é uma leoa. É uma mãe muito focada, que tenta ser a melhor mãe para os filhos”, explica, “Mas a Flávia pessoa está só o pó, está destruída. Está com muita dificuldade de enterrar os sonhos que ela teve a vida inteira". Leia mais




"Chutei o balde. Pedi demissão e falei: vamos aprender a viver com menos"


Com 1 ano e meio, o caçula de Sandra parou de falar. O menino, que vinha se desenvolvendo dentro das expectativas e já se comunicava falando algumas palavrinhas, regrediu do dia para a noite. Ciente do que se passava, a mãe procurou atendimento especializado e Cauã recebeu o diagnóstico de autismo. “Aí eu chutei o balde. Pedi demissão e falei: vamos aprender a viver com menos". Leia mais



"Prefiro morar sozinha com a minha filha. É uma libertação"


Depois de um puerpério difícil e solitário, a licença maternidade chegou ao fim e Flávia decidiu se separar do marido. "Eu notei que não dava mais para morar junto porque havia um descompasso gigante sobre percepções e divisão de tarefas. Isso sempre foi um grande problema no relacionamento, e se intensificou com a chegada da Larissa”, relata a jornalista. “Pedi a separação”. Leia mais