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"Ela aprende que pode ser o que quiser”

Para empoder a filha Clara, de 8 anos, Daiane Braz incentiva a menina a fazer releituras de fotos de mulheres fortes. As imagens conquistaram as redes sociais.

À esquerda, a escritora Maria da Conceição Evaristo e, à direita, a releitura feita por Clara (Fotos: Reprodução Instagram)

Por Luciane Evans

Por trás da pequena Clara Larchete, de 8 anos, menina que recentemente encantou as redes socials ao fazer releituras de grandes mulheres, existem pais que apostam, diariamente, na força das palavras de confiança, respeito, empatia e empoderamento.


"Criar uma criança negra no Brasil é uma tarefa muito importante e uma responsabilidade muito grande. Os pais devem fortalecê-la a cada dia, porque para elas existe a possibilidade do racismo, da discriminação e de alguém zombar dela por causa dos seus traços, cabelo, cor de pele”, comenta a analista de crédito, Daiane Braz.

Daiane é mãe da Clarinha e conta que a menina já sofreu episódios de racismo na escola. Aos 5 anos, ela chegou em casa questionando o porquê de o seu cabelo não ser liso como as das outras crianças que estudavam com ela. “Mostramos o quanto ela se parecia com o papai e a mamãe, mas vi que precisava de mais. Fui para as redes sociais, buscar referência de meninas negras para se reconhecer. E aí, começamos uma conta no Instagram”, conta a mãe.

A partir dessa busca, Clara se viu em outras crianças que tinham o mesmo tom de pele e o mesmo tipo de cabelo. Além de fazer com que a filha se reconhecesse, Daiane encontrou diversas formas para falar sobre negritude para a pequena, que aos 8 anos tem se tornado uma referência para crianças negras. É claro que, ciente do mundo que vivemos, Daiane é quem gerencia a conta da menina na rede social e diz que, até o momento, a família não sofreu discriminação por esse meio.

Releituras

Uma das formas que Daiane encontrou para fortalecer Clara foi mostrar-lhe a gama de mulheres fortes, corajosas e respeitadas no mundo. "Clarinha estuda em escola pública e não teve aula online durante a pandemia. Em junho do ano passado, uma das atividades da escola foi a releitura de alguma obra de arte. Fizemos o autorretrato da pintora Tarsila do Amaral, postei no Instagram e o resultado foi muito positivo”, comenta a mãe.

Diante do retorno, Daiane se inspirou, dessa forma, a ensinar muito mais a filha e também as outras crianças.


“Quis mostrar a ela a história de grandes mulheres que mudaram o mundo e que alcançaram seus sonhos. Com as releituras fotográficas, a minha filha aprende que é capaz, que tem força e que pode ser o que quiser, podendo, inclusive, inspirar outras meninas", orgulha-se Daiane.

Com essa potência na autoestima da menina e também de tantas outras, as imagens conquistaram as redes sociais nos últimos dias. Clarinha tem hoje 34 mil seguidores na sua página no Instagram. Nomes como Marielle Franco, Viola Davis, Michelle Obama, Maju Trindade, Malala Yousafzai, Frida Kahlo, Amanda Gorman, Isabel Fillardis, e a escritora Conceição Evaristo são apenas alguns que ganharam a página da menina

À esquerda, jornalista Maju Coutinho e, à direita, a releitura feita por Clara

"Eu me sinto muito feliz"


“Clara é criança e ainda não tem noção da dimensão da sua página no Instagram. Mas ela participa de tudo. Escolhe as roupas, dá palpites e tem aprendido muito com essas releituras”, conta a mãe. A menina se diz feliz ao ver que se tornou referência para crianças da sua idade. "Eu me sinto feliz em poder mostrar para elas que elas são lindas e podem ser o que elas quiserem", comemora a pequena.

Juntas, mãe e filha têm se empoderado. Para fazer as fotos, Daiane pesquisa e aprende também. O perfil nas redes sociais ensina crianças e, até mesmo os adultos, sobre um pouco das histórias dessas mulheres. Jornalistas, atrizes, poetas, quilombolas, cantoras, pintoras… São muitas as escolhidas por Clara e Daiane. Para cada imagem, há a biografia da homenageada. São historias de inspiração e resistência para Clara e seus seguidores.


À esquerda, a líder quilombola Tereza Benguela e, à direita, a releitura feita por Clara