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"As mulheres devem criar milícias para se protegerem"

Leia abaixo a entrevista de Marília Garcia, candidata a prefeita de Belo Horizonte pelo PCO, líder da Aliança da Juventude Revolucionária e estudante de Letras na USP


Com a pandemia, pesquisadores apontam um retrocesso de 30 anos na participação feminina em um mercado de trabalho que já era desigual. Qual a sua proposta para as mulheres que, com a sobrecarga e a tripla jornada de trabalho (casa, trabalho e filhos), saíram do mercado?


Marília Garcia: Já esclarecendo um ponto importante para as respostas seguintes, as propostas aqui apresentadas são do Partido da Causa Operária e não de um candidato individualmente.


A questão da mulher está inserida na luta dos trabalhadores de modo geral, para melhorar as condições de trabalho e de vida da mulher é preciso melhorar a de todos os oprimidos, num sistema socialista não existe distinção com relação aos deveres e obrigações de ambos os sexos, obviamente pelas características da mulher é preciso especial cuidado, principalmente com relação a gravidez, amamentação e cuidado com os filhos.



Outra consequência da pandemia sobre a mulher mãe é que, como única responsável pelos filhos, ela perdeu sua rede de apoio com o fechamento da escolas. Se não é excluída do mercado de trabalho, não tem com quem deixar as crianças, que acabam ficando mais expostas ao risco de contato com o covid-19. Provavelmente, no início de 2021 ainda estaremos vivendo a pandemia, portanto, quais são as suas propostas para solucionar a questão protegendo as crianças?


Marília Garcia: A principal questão com relação a pandemia é superá-la com a vacinação em massa da população, com relação aos cuidados com os filhos o estado deve arcar com o custeio para que a mulher possa se manter em casa enquanto durar a pandemia, recebendo todo o sustento tanto para ela quanto para o(s) filho(s) e a família como todo, inclusive do marido se houver.



Em 2019, a quantidade de feminicídios cresceu 250% em Belo Horizonte, em relação a 2018. O assassinato de mulheres como violência de gênero, bem como a violência doméstica, têm números preocupantes na capital. Quais são as suas propostas para acolher vítimas e reduzir esses índices?


Marília Garcia: As mulheres devem se unir em torno dos seus interesses e criar milícias de mulheres para se proteger das agressões seja de homens, seja da polícia, seja de quem for.

O estado burguês não proverá essa proteção, e qualquer lei que possa ser aplicada será usada contra a mulher e não a favor dela, veja o caso da lei Maria da Penha que não acabou ou reduziu a violência contra a mulher.


A alta taxa de mortalidade infantil ainda é um grave problema no Brasil, e que reflete questões como pior qualidade de vida e falta de acesso a serviços básicos. Qual a sua proposta para a redução da mortalidade infantil na capital?


Marília Garcia: Toda criança tem o direito a amamentação e aos cuidados de saúde, portanto, é preciso estatizar todo o sistema de saúde de forma que ela seja gratuita e de qualidade para todos.


Uma das causas de mortalidade infantil é a falta de saneamento básico. Como você pretende atender as metas do novo marco regulatório de saneamento básico em BH e mudar essa realidade?


Marília Garcia: Nenhuma proposta que se possa fazer dentro dos marcos do sistema capitalista será implementada, portanto para mudar esse cenário é preciso que primeiro o governo golpista de Jair Bolsonaro e de todos os golpista seja derrubado.


As crianças precisam também de áreas verdes e contato com a natureza para uma infância saudável. No entanto, a maioria dos parques da cidade está concentrada na região central da cidade e afastada das áreas urbanas periféricas. Como democratizar o contato com a natureza e fazer a cidade ser mais acolhedora para as crianças?


Marília Garcia: Como dito anteriormente a população precisa se organizar e decidir o que é melhor para todos, o prefeito e vereadores não têm condição de fazer nada, e qualquer promessa nesse sentido é pura demagogia eleitoral.


Você é a favor da reabertura das escolas em que momento e em quais condições?


Marília Garcia: O partido é totalmente contra a volta as aulas enquanto não houver a vacinação em massa de toda a população.


Você tem algum projeto para auxiliar as escolas e creches particulares que fecharam suas portas em BH por causa da pandemia?


Marília Garcia: As creches particulares devem ser estatizadas, o dinheiro público deve ser usado no que é público, nenhum dinheiro para a iniciativa privada.

A maternidade Leonina Leonor está pronta para a realização de partos humanizados e fechada há 11 anos. A atual gestão não vê necessidade de abrir uma maternidade em Venda Nova. O que você pensa sobre o assunto? Pretende inaugurá-la como maternidade especializada em parto humanizado? Quais outras políticas públicas voltadas para a gestação e o parto você propõe?


Marília Garcia: Todo o sistema de saúde deve ser estatizado e gratuito, toda forma de humanizar e diminuir o sofrimento da mãe durante a gravidez e o parto e no pós-parto devem ser implementados de acordo com o que os conselhos populares decidirem.

Qual é a sua posição sobre a descriminalização do aborto?


Marília Garcia: O partido é totalmente a favor da descriminalização do aborto, a decisão de ter um não um filho é da mulher.