• Cria Para o Mundo

"A vida é maior do que tudo isso!"

Grávida em meio à pandemia, Paola Coda conta como foi a espera e a chegada de Cecília.




Por Paola Coda


De quantas emoções é feita uma gestação? Foram tantas as transformações no meu corpo, na minha rotina, na minha vida, nos planos de futuro...

Foram nove meses de planejamento e ações práticas a serem tomadas: a compra do enxoval, a mudança de casa, a preparação do quarto, a escolha da equipe médica de assistência ao parto, o pré-natal, os exames, os exercícios físicos e o cuidado pormenorizado com a nossa saúde. 

Aí, de forma totalmente inesperada, fui (fomos todos) surpreendida por uma pandemia em uma escala que a humanidade não vivenciava há mais de 100 anos, desde que a gripe espanhola matou por volta de 50 milhões de pessoas entre os anos de 1918 e 1919.

De um dia para o outro foi decretado o fechamento do comércio, shoppings, serviços e tudo mais que era considerado não essencial. Repartições públicas foram colocadas em teletrabalho, profissionais da saúde foram autorizados a atender por teleconsulta. Situações mais diversas de trabalho passaram a ser possíveis à distância. Aulas das escolas suspensas por tempo indeterminado.


As ruas ficaram desertas, e aqueles que precisavam se arriscar a ir ao supermercado ou à farmácia cobriam-se de máscara como nos filmes de ficção científica sobre o fim dos tempos. A recomendação dos órgãos internacionais e dos governos brasileiros era a de manter o isolamento social: #fiqueemcasa.


Tive medo! Medo de perder pessoas queridas, medo do caos social, medo da depressão econômica, medo de ter uma experiência negativa de parto em um contexto de colapso da rede de saúde. Medo ainda de não ser possível passar pela experiência de parto com assistência humanizada que eu sempre sonhei, já que as maternidades e hospitais estavam adotando medidas de segurança bastante restritivas.

Nada de doulas, fotógrafos ou visitas. Nunca a perspectiva de um parto domiciliar me pareceu tão sensata e segura, apesar de a nossa escolha ter continuado sendo por ter nossa bebê em uma maternidade.


Por outro lado, mesmo em tempos de COVID-19, eu nunca temi passar por alguma intercorrência no final da gestação. Sentia uma profunda confiança de que minha bebê nasceria bem e com saúde. Essa certeza iluminava os meus dias! Além de me trazer força para manter a clareza mental, a paz de espírito e a serenidade no coração.


Fazer parte de grupos de gestantes também está sendo fundamental, porque neles compartilhamos angústias, dores, ansiedades, dúvidas, alegrias e nascimentos. Ah, como é bom entrar no WhatsApp e, ao invés de contar os mortos no meio desta atmosfera de dores e incertezas, contar os bebês nascendo e celebrar alegremente junto às novas mamães!

E foi para trazer esperança de que dias melhores virão que, em 21 de abril de 2020, nasceu Cecília às 38 semanas e 1 dia. Nem nos meus melhores sonhos eu conseguia vislumbrar um momento tão perfeito. Um parto natural na água, sem nenhuma intervenção médica, mas sendo assistida por uma excelente equipe (obstetra, enfermeira obstetra e doula). Meu companheiro do meu lado, transmitindo seu acolhimento, força e confiança.


Choramos juntos o momento em que a natureza dos nossos corpos trabalharam em conjunto para que o milagre da vida pudesse acontecer.

O parto é uma mistura de dor, medo, força, desespero, superação, emoção, doação, amor, esperança, renovação. Assim como no parto, a vida está nos desafiando a mostrar o nosso melhor, transformando lama em preciosidade, medos em virtudes, purificando o corpo, a mente e o espírito.


E, independentemente de qualquer coisa, os bebês continuam e vão continuar nascendo. Sabem para quê? Para nos lembrar de que a vida é maior do que tudo isso!

Quer compartilhar sua história? Envie pra gente pelo e-mail criaparaomundo@gmail.com


#gestacao #partohumanizado #coronavirus #partohumanizadobh #gravidasbh