• Cria Para o Mundo

A maternidade real sobe ao palco

Atualizado: Fev 13

Espetáculo Maternar, da Cia. Quatro Quartos, emociona e provoca ao mostrar a maternidade sem romantizações nem pudores



Por Nathalia Ilovatte


As opressões, as dores, os dilemas, a sobrecarga e os deleites de gestar, parir e criar são o epicentro do espetáculo Maternar, da Cia. Quatro Quartos, que está em cartaz de 13 a 16 de fevereiro, na Funarte.


A peça tem como fio condutor os relatos, questionamentos e desabafos da autora e atriz Amanda Coimbra, mãe da pequena Elis. “Eu me desnudei. Maternar é um livro aberto da minha maternidade e da minha vida. O que é curativo, mas também é desafiador, porque não é fácil se colocar diante das pessoas assim”, conta ela, explicando que a peça começou como trabalho de conclusão do curso de Teatro da UFMG e já está na terceira temporada.


Maternar foi construída em cima de textos escritos por Amanda em forma de desabafos e reflexões. “Eu tinha várias ideias e referências sobre a maternidade que fui lendo, refletindo e juntando. Vendo minhas fotos e registros do parto, fui tendo ideias e veio a vontade de transformar essas referências em espetáculo”, conta. “Foi um processo longo porque não sabíamos como isso ia se dar na prática. Começamos a fazer exercícios corporais e vocais e, nesse processo, comecei a escrever. Escrevi relatos de gravidez, de pós-parto, escrevi uma carta para mim mesma, para a Amanda antiga… E a gente percebeu que esses relatos seriam o fio condutor, porque era a minha história que estava guiando esse processo”.



Aos poucos, outras narrativas foram se encaixando no texto, e uma delas é a da atriz Luísa de Paula, mãe de Bento, de 3 meses. “Quando fui convidada pra fazer parte do espetáculo estava grávida de 3 meses, mais ou menos. Por isso, ter acesso aos relatos da experiência de Amanda, e a essas provocações sobre maternar, foi muito importante. Eu costumo brincar que foi quase um laboratório pra mim”, comenta.


Para se preparar para atuar no espetáculo, Luísa estudou as diferentes possibilidades e caminhos que as mulheres têm para exercer, à própria maneira, a maternidade. “Quando eu falo de estudo me refiro principalmente à escuta da experiência de outras mulheres, da minha mãe, de parto, pós-parto. Mas o principal para essa preparação foi a minha experiência naquele momento, enquanto mulher grávida”, explica.


O resultado dessa soma de observações empáticas e de vivências é uma peça que emociona até quem sequer tem o plano de ser mãe. “Eu não imaginava o que o público sentiria. Quando a gente apresentou esse espetáculo pela primeira vez, em um ensaio aberto geral, as pessoas se emocionaram de uma forma que eu não imaginava”, relata Amanda.


Para ela, a comoção vem da identificação, já que todos somos filhos de uma mãe. “Todo mundo nasceu, então acho que Maternar toca todo mundo de alguma forma”, diz a autora e atriz. “Eu espero que o público sinta o que ele quiser sentir. O espetáculo é de muita sinceridade, então tem alguns posicionamentos que podem incomodar, mas são para incomodar, mesmo. E tem momentos para se emocionar, para se deleitar, para questionar e não aceitar essa ideia de maternidade romântica, de que as mulheres aguentam tudo”.



A peça Maternar está em cartaz na Funarte MG, nos dias 13, 14, 15 e 16 de fevereiro, às 19h.


A direção é de Malu Falabella e Gabriella Hedegaard. No elenco, Amanda Coimbra, Istéfani Pontes, Joana Rochael, Lígea Lana, Luísa de Paula e Malu Falabella.


Os ingressos custam R$ 15 podem ser comprados pelo site www.vaaoteatromg.com.br.