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"É urgente abrir um diálogo sobre o retorno seguro das atividades escolares"

Leia abaixo a entrevista com Luísa Barreto, candidata a prefeitura de Belo Horizonte pelo PSDB, ex-secretária-adjunta de Planejamento e Gestão do Governo do Estado e professora convidada da Fundação Dom Cabral


Com a pandemia, pesquisadores apontam um retrocesso de 30 anos na participação feminina em um mercado de trabalho que já era desigual. Qual a sua proposta para as mulheres que, com a sobrecarga e a tripla jornada de trabalho (casa, trabalho e filhos), saíram do mercado?

Luísa Barreto: Vamos ampliar a empregabilidade de mulheres a partir de cursos de formação a serem estruturados junto com as empresas, de forma a garantir um alinhamento com a demandas do mercado. Será também estruturada uma rede de apoio às mulheres empreendedoras, de forma que a prefeitura use de sua força institucional para construir pontes com instituições que forneçam importantes auxílios, como bancos de fomento e o sistema S. Por fim, será garantido o acesso à educação infantil a partir dos 4 meses de idade, período em que se encerra a licença maternidade para várias mulheres.


Outra consequência da pandemia sobre a mulher mãe é que, como única responsável pelos filhos, ela perdeu sua rede de apoio com o fechamento da escolas. Se não é excluída do mercado de trabalho, não tem com quem deixar as crianças, que acabam ficando mais expostas ao risco de contato com o covid-19.    Provavelmente, no início de 2021 ainda estaremos vivendo a pandemia, portanto, quais são as suas propostas para solucionar a questão protegendo as crianças?

Luísa Barreto: O afastamento das crianças do ambiente escolar tem gerado adoecimento mental e terá consequências sobre a aprendizagem, além de dificultar o retorno das mulheres do mercado de trabalho. É preciso abrir um diálogo urgente sobre o retorno seguro das atividades escolares, com protocolos de saúde que garantam a proteção das crianças e dos educadores.


Em 2019, a quantidade de feminicídios cresceu 250% em Belo Horizonte, em relação a 2018. O assassinato de mulheres como violência de gênero, bem como a violência doméstica, têm números preocupantes na capital. Quais são as suas propostas para acolher vítimas e reduzir esses índices?

Luísa Barreto: Vou criar um programa de enfrentamento à violência contra a mulher, com dois focos. A assistência social dará um acompanhamento próximo para casos crônicos de violência familiar, buscando reduzir situações de risco. E a Guarda Municipal será responsável por garantir a segurança das mulheres que estejam em medidas protetivas.


A alta taxa de mortalidade infantil ainda é um grave problema no Brasil, e que reflete questões como pior qualidade de vida e falta de acesso a serviços básicos. Qual a sua proposta para a redução da mortalidade infantil na capital?

Luísa Barreto: É fundamental ampliar universalizar o acesso ao saneamento básico, que garante melhor condições de saúde para as crianças, e o novo marco do saneamento permite que a prefeitura busque esta meta em curto prazo. Em algumas regiões da cidade, como o Barreiro, apenas 50% da população tem pleno acesso ao saneamento adequado. Além disso, vou garantir a presença de pediatras em todos os postos de saúde, para que as crianças tenham um acompanhamento médico próximo e que atue também para prevenir doenças e promover a saúde.


Uma das causas de mortalidade infantil é a falta de saneamento básico. Como você pretende atender as metas do novo marco regulatório de saneamento básico em BH e mudar essa realidade?

Luísa Barreto: Belo Horizonte é o principal cliente da Copasa, o que permite uma força muito grande para a renegociação das metas da concessão de serviços de água e esgoto na janela aberta pelo novo marco do saneamento. A prefeitura tem que exigir que toda a cidade tenha deposição adequada de esgoto. Caso a Copasa não consiga atender a esta meta, a prefeitura deve abrir a concessão a empresas privadas que consigam garantir a universalização do saneamento na cidade.

As crianças precisam também de áreas verdes e contato com a natureza para uma infância saudável. No entanto, a maioria dos parques da cidade está concentrada na região central da cidade e afastada das áreas urbanas periféricas. Como democratizar o contato com a natureza e fazer a cidade ser mais acolhedora para as crianças?

Luísa Barreto: É fundamental a ampliação das áreas verdes em toda a cidade. Proponho que isso seja feito em conjunto com uma melhor gestão ambiental, focada também em solucionar a questão das enchentes. Por isso uma das prioridades da minha gestão será a criação de parques lineares ao longo do curso dos rios.


Você é a favor da reabertura das escolas em que momento e em quais condições?

Luísa Barreto: Sou favorável à reabertura das escolas a partir de protocolos seguros para as crianças, familiares e educadores. Isso porque o afastamento das crianças do ambiente escolar tem gerado séries consequências sobre a saúde mental das crianças e também sobre sua aprendizagem. Além disso, é importante perceber que várias crianças não estão mais em suas casas, praticando isolamento, em virtude da necessidade de que as mães e pais retornem às suas atividades, o que tem exposto as crianças, em especial as mais pobres, a outros riscos. É importante que essa abertura se inicie com a educação infantil, como ocorreu em diversos países, pois estas crianças não são adequadamente atendidas pelo ensino à distância e tem na escola um ambiente de convívio com outras crianças que é fundamental para sua formação.


Você tem algum projeto para auxiliar as escolas e creches particulares que fecharam suas portas em BH por causa da pandemia?

Luísa Barreto: Temos hoje uma perspectiva de fechamento definitivo de aproximadamente 25% das escolas de educação infantil em BH, e com isso muitas crianças procurarão a rede pública, que terá dificuldade em ofertar vagas em número suficiente. É fundamental que a prefeitura tenha um olhar para estas duas situações. Eu proponho que a prefeitura contrate vagas nas escolas e creches particulares, como forma de garantir o atendimento às crianças e, ainda, auxiliar as escolas.


A maternidade Leonina Leonor está pronta para a realização de partos humanizados e fechada há 11 anos. A atual gestão não vê necessidade de abrir uma maternidade em Venda Nova. O que você pensa sobre o assunto? Pretende inaugurá-la como maternidade especializada em parto humanizado? Quais outras políticas públicas voltadas para a gestação e o parto você propõe?

Luísa Barreto: É fundamental ampliarmos a rede de maternidades em BH, em especial com um enfoque para o parto humanizado, que garante uma atenção especial à mãe e ao bebê. Para além disso, precisamos que a opção de parto humanizado seja apresentada às mães durante as consultas pré-natal realizadas no SUS, e que a prefeitura trabalhe junto às maternidades que atendem na rede pública para permitir o pleno acesso das doulas. A rede de médicos ginecologistas também precisa ser ampliada, pois hoje é muito difícil conseguir um atendimento na rede da prefeitura.


Qual é a sua posição sobre a descriminalização do aborto?

Luísa Barreto: O Brasil estabelece as premissas legais para a interrupção da gravidez nos casos previstos em lei. Mas precisamos ter uma atenção maior para a situação das mulheres que hoje fazem aborto clandestino, sem qualquer segurança, implicando, inclusive, na perda de vidas. Diante disso, é importante garantir que essas mulheres possam fazer o procedimento com acompanhamento e de forma segura.